quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Transformador de Isolação para equipamentos High-End

...ou simplesmente hum-noise killer.

Sou um privilegiado.
Há algum tempo, quando eu construí meu laboratório, prestei especial atenção ao projeto elétrico da fiação de força e iluminação. Tudo aterrado conforme o figurino, dispositivo DR, setorização cuidadosa, cabos generosos, canaletas e conduítes separando cada coisa, etc.

Quando projeto e construo um equipamento, geralmente faço os testes no meu lab e só então empresto os protótipos para a minha lista de testers.
Todos estes testadores são da região metropolitana de SP, onde as empresas concessionárias prestam um pouco mais de atenção na qualidade da energia fornecida. Nunca observei ou, eles reclamaram de ruídos.

De uns tempos para cá (uns dois anos para ser mais específico) os clientes do Sul do país, começaram a me questionar sobre alguns zumbidos e falhas ocasionais por sobre-tensão (acima dos 130Vac, que é a tensão do Varistor que uso para proteção*).
Passei a incluir um sistema de regulação para acertar a sobre-tensão, porém os ruídos fogem da alçada da minha bancada de projetos...

Isto estava me incomodando até que um cliente pediu um trafo isolador toroidal para separar a alimentação AC dos seus equipamentos de áudio do restante da casa (computadores, laptops, iPhones, liquidificadores, TVs, aspiradores, esteiras de corrida e demais fontes de sujeira e ruído na rede). Ele disse que havia visto em um fórum gringo o esquema.

Bem, como "cuidado e canja não fazem mal pra ninguém", passei as especificações do trafo que ele queria para meu fornecedor e enrolamos um toroidal isolador de 500VA** (~500w em DC).

fonte: HTForum

De acordo com o cliente, o problema desapareceu.

Mandei vir algumas amostras para eu ensaiar, mas no meu ambiente a redução é imperceptível aos ouvidos, somente com os instrumentos do lab ligados é que podemos observar a ausência total do ground-loop entre a rede e o sinal de áudio dos equipamentos.

De qualquer maneira achei a solução válida e passarei a oferecer os modelos de 500VA e 1000VA com blindagem e sem blindagem eletrostática, o primeiro para que tem aterramento conforme a NBR5410  em casa. Em breve será anunciado em www.amplificadores.com.br com os valores e esquemas de ligação.

Para quem quiser dar uma olhadinha no assunto, um bom ponto de partida é o website da Apple: http://support.apple.com/kb/HT2743, texto em inglês mas um bom ponto de partida para uma madrugada de busca no "São Google`.



Abraços à todos!

Luciano Peccerini Junior





*O varistor é um elemento de proteção que "segura" surtos e picos de tensão até determinados valores e, se o surto for muito acentuado, ele entra em curto-circuito fazendo o fusível do equipamento queimar repetidamente. É o caso clássico do: PUFFF!!!...xiiii, liguei no 220!!!!.
Na verdade o varistor (quando existe no projeto) pifa e fica em curto até que vc leve para uma asssistência técnica (as picaretas cortam o varistor fora e cobram o conserto, as sérias trocam os varistores, dizem o que foi trocado, te entregam a peça defeituosa, avisam sobre o perigo de ligar errado e cobram o conserto).


** Em corrente alternada a potência é referida sempre em Volt-Ampère, ou simplesmente VA e tem o mesmo valor númérico que os Watts usados em corrente-contínua. Isto é para se diferenciar as potências reativas das resisitivas nos cálculos de potência aparente...e pasmem, lembram-se daquela baboseira de números complexos do segundo grau? É para estes cálculos que serve aquilo tudo.

...baboseira coisa nenhuma! Sempre achei fascinante, o problema era o mané que me dava aulas e não tinha a mínima noção do que estava falando!



terça-feira, 24 de julho de 2012

Dois novos acesórios para os audiófilos

Acabo de mandar para o fabricante de PCBs os arquivos das placas do AFTB2 e do HTB2.

O primeiro é o "queimador" de componentes Hi-Fi. É o LPJ Afterburner: AFTB2.
Gerador de ruído branco modulado em amplitude (AM - SSB) controlando um VCO de baixa frequencia cobrindo todo o espectro de áudio numa combinação de sons muito mais complexa do que qualquer música deste planeta e capaz de solicitar os dispositivos conectados a ele o seu máximo em termos de performance. 

O segundo é o crossfeed para fones de ouvido, LPJ Head-On-The-Box, aka HTB2.
Baseado nas teorias do Sr Linkwitz, este equipamento reduz a sensação estéreo fazendo com que o palco sonoro reproduzido nos fones de ouvido soe muito mais natural e com realismo bem próximo da audição ao vivo.

Assim que o primeiro lote chegar nas minhas mãos, montarei os primeiros produtos e postarei os resultados por aqui.

Grande abraço á todos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tocando fogo em tudo, parte 2.



Depois de algumas semanas do post intitulado "Tocando fogo em tudo", onde descrevia o equipamento sugerido pelo CEO da Hagermann Technologies para fazer burning-in automático de equipamentos e acessórios para áudio, resolvi escrever uma resenha do andamento e finalização do projeto.

Aí vai.

Primeiramente sobre o circuito:
De cara modifiquei vários pontos que achei valiam a pena serem melhorados, na primeira versão citada no post anterior.
Foi tudo bem até a hora de implementar o modulador com o MC1496, da Motorola.
O circuito sugerido era confuso e não batia com as especificações do manual da ON-Semi (Motorola Semicondutores) - vejam em http://www.datasheet4u.com/
Mudei tudo para ficar igual ao manual.
O gerador de ruído branco já fora mudado anteriormente.
O estágio de buffer seguinte também.
O oscilador ICL8038 foi ajustado (RC de precisão) e retirado o estágio da onda triangular, que não fazia nada no esquema original, além de atrapalhar a leitura do esquema.
Acertei o ganho do buffer para o sinal resultante ficar compatível com o que diz o manual do MC1496.
Retirei vários capacitores que só atrapalhavam restringindo a banda-passante do ruído branco (white-noise BW).
...e voilà!
Tudo funcionando.

Quando olhei para o estágio final...meros 2w contínuos de uso real ou 5w com dissipador infinito.
Trocando em miúdos: é só manter o encapsulamento do CI LM386 à 25°C que ele entrega o que o manual diz...

Joguei o estágio de potência fora e montei um novo com o bom e velho TDA2005: 10w com o pé nas costas!
Como usarei um gabinete de aço-carbono pintado em epóxi preto, dá pra puxar uns 15w por canal tranquilamente, conectando seu encapsulamento Pentawatt de 11 pinos na carcaça metálica do gabinete.
Agora sim dá para brincar de "queimar falantes".

Dois trechos que merecem esclarecimento:
1. Diretamente do mundo real, onde impera a ciência:
  • Válvulas atingem sua estabilidade de emissão eletrônica após uma ou duas centenas de horas em aquecimento com o filamento em tensão nominal.
  • Alto-falantes, como todo e qualquer sistema mecânico sujeito às Leis da Termodinâmica (que ainda valem para nosso universo em expansão), são amaciados após horas de uso prolongado. Seja pelo desgaste de partes e peças, seja pelo rearranjo das fibras dos materiais utilizados ou de estruturas montadas no processo da manufatura.
  • Coisas quentes soam diferentes de coisas frias. Bata em um diapasão tipo garfo e ouça o (440Hz). Aqueçam-no e ouçam o novamente. Mudou né?
2. Diretamente do mundo do áudio, onde impera a emoção e o back-ground do ouvinte:
  • Semicondutores permanecem identicos após anos e anos de uso contínuo, desde que não sejam submetidos à algum tipo de estresse mecânico e/ou térmico.*
  • A estrutura atômica do metal que compõe os cabos não se altera pela passagem de sinal elétrico de baixas potências** e freqüências (áudio por exemplo), desde que não sejam submetidos à algum tipo de estresse como os citados anteriormente.
  • Conectores estão sujeitos às mesmas leis da física que regem os cabos.
  • Cabos de prata, ouro, cobre "oxigen-free" ou de alguma liga mirabolante resfriada a -272K e que custam os "olhos da cara", ficam ligados a 400m de cobre comum dos trafos de saída dos amplificadores valvulados. O mesmo vale para a fiação interna dos amplificadores de estado sólido high-end. Não se iluda na hora de comprar um cabo $$$.

É isto aí.
Assim que estiver tudo montado e funcionando, postarei o esquema e oferecerei no website http://www.amplificadores.com.br/ como um equipamento acessório ou kit para os entusiastas DIY montarem.


Luciano


* Trabalhei na BOSCH vários anos na década de 80. Lá tínhamos uma máquina de eletroerosão que possuía 30 transistores 2N3055 em paralelo para regular a corrente da fonte. Certa vez a máquina pifou num final de semana e, como estava de plantão e a fábrica parada, resolvi testá-los um por um no traçador de curvas TEK 577. Fato: impossível distinguir os transistores novos dos que tinham 20 anos de uso e estavam OK.
**Se a potência for tão alta que o cabo se torne um aquecedor de ambientes, aí é outro papo.

domingo, 1 de julho de 2012

ORION mkII (Amplificador para Headphones à baterias)

O amplificador de fones de ouvidos alimentado por baterias, ORION, passou por uma remodelagem completa.
Os circuitos de áudio são praticamente os mesmos, à exceção dos capacitores no caminho do áudio que foram substituídos pela versão de polipropileno (baixíssimo ESR e ruído de fundo), e a placa de circuito impresso que é nova e foi redesenhada para melhorar o desempenho e a imunidade aos ruídos.
Em relação ao circuito de alimentação a seção do recarregador foi totalmente refeita: circuitos e topologia.
Agora a indicação visual dos estados de operação do equipamento permite determinar os modos: "OPERation", "CHARGing" e "LO BATtery" (no modo ON) através das cores dos suportes acrílicos que mudam em função do estado de operação.

Vermelho = carregando as baterias de 9Vdc com o equipamento em OFF.
Laranja = carga abaixo de 5Vdc com o equipamento em ON (amplificando o sinal de áudio).
Branco = carga  entre 100% e 63% com o equipamento em ON (idem).

Além desta modificação, a fonte de aliementação foi implementada em gabinete à parte para que ficasse o mais longe possível dos circuitos de áudio, reduzindo à zero a chance de algum sinal de EMI chegar ao terminais do OPAMP de entrada.
Neste novo gabinete, o acesso às baterias recarregáveis ficou facilitado pelo compartimento á parte no gabinete permitindo sua eventual troca sem a necessidade de desmontagem da fonte.

Estas atualizações são parte do nosso programa de melhoria contínua visando fazer sempre o melhor para nossos clientes.

Se você possui um ORION e optar por fazer o upgrade, entre em contato para a sua atualização (sem custo algum).

Atenciosamente,

Luciano Peccerini Junior

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tocando fogo em tudo!

Olá meus caros.

Semanas atrás estava de olho em alguns números da AX do século passado (anos 1999 e 2000) quando me deparei com um artigo do CEO da Hagermann Technologies.

O cara descrevia um circuito dedicado á queima de amplificadores, cabos e caixas acústicas.

Fiquei interessado de cara, pois grande parte do meu trabalho na construção dos equipamentos que comercializo, é a preparação e condução dos testes de "burning-in", ou seja, a queima dos equipamentos para eventuais correções e substituições de componentes que apresentem falha-precoce bem como o 'amaciamento" dos circuitos vavulados.

Analizando a idéia, resolvi montar minha versão.

Da idéia original restaram os blocos funcionais e o uso de alguns componentes imprescindíveis, tais como os transistores 2n3604, o modulador Motorola MC1496 e o gerdor de funções monolítico da intersil ICL8036.

Basicamente o circuito se resume à um gerador de ruído branco (white-noise generator), um grador de rampa que faz o gerador de funções variar o modulador de 20Hz a 20Khz (faixa de áudio), um modulador que combina o white-noise com o áudio gerando um sinal de FM aliado à mais um modulador AM que varia a amplitude de tudo isto no tempo mais uma saída pré out (para permitir a ligação de amplificadores que necessitem de queima) L+R e dois canais de 10w de potência integrados para a ligação através de bornes banana, cabos e caixas acústicas. Um ampli de 10w para o canal LEFT e outro idêntico para o canal RIGHT.

Abaixo o esquema geral para quem quisr se aventurar:



Em algumas semanas disponibilizarei a versão comercial: placa de circuito impresso (PCI), kit de placa mais componentes e versão completa montada.
Fiquem de olho no website http://www.amplificadores.com.br/ para maiores detalhes.

Grande abraço.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Crossfeed

Algum tempo atrás um cliente encomendou um Volkano para empurrar seu recém-adquirirdo headphone Senn HD-598.
Após algumas semanas ouvindo seu Senn no Volkano este cliente me ligou dizendo que a separação entre canais o incomodava fazendo com que as gravações, que ele antes só ouvia nas suas caixas acústicas, soassem pouco naturais.

Argumentei que as gravações multi-pistas de estúdio tinham esta tendência, as quais eram minimizadas quando escutamos os dois canais em caixas acústicas numa sala de volume apropriado, porém com fones diretamente nos ouvidos e isolando um canal do outro quase que completamente, isto se tornava um pouco incômodo. É normal.

Sugeri que procurasse na web os artigos do Sr. Linkwitz (aquele mesmo que escreveu sobre os filtros Linkwitz-Riley http://en.wikipedia.org/wiki/Linkwitz%E2%80%93Riley_filter) tratando especificamente deste assunto e que me rotornasse depois de "digerir" exatamente o que acontecia com seu sistema recém-adquirido...
O assunto em questão eram os circuitos tipo Crossfeed, que têm a propriedade de "reduzir" o efeito de separação dos canais estéreo nos fones e fazer com que o palco sonoro se aproxime do que ouvimos numa apresentação ao vivo, onde os nossos sistemas auditivos ouvem o material sonoro separados por "uma cabeça" de distância entre canais.


Após esta semana de estudos, meu cliente ligou de volta e pediu para eu construir um crossfeed para seu sistema.

Aceitei o desafio e coloquei mais algumas facilidades no equipamento além do X-feed em si:

1. Duas entradas separadas e independentes selecionáveis por uma chave de 3 posições com MUTE na posição central. Desta forma poderemos ligar dois ampificadores de fones diferentes e alimentar o mesmo conjunto de headphones para comparação de amplificadores.
2. Chave de inversão de fase 0° e 180° para fazer a comparação do material de um canal com o outro (L + R).
3. Quatro níveis de perspectiva com profundidades de palco diferentes, selecionáveis por um conjunto de chaves rotativas.
4. Dois conjuntos de crossfeed independentes, um para headphones de baixa impedância (<120 Ohms) e um para headphones de alta impedância (>120 Ohms).
5. Chave de by-pass independente por conjunto de crossfeed permitindo a retirada do efeito a qualquer momento.
6. Três conjuntos de saídas para headphones diversos que podem ser ligados ao mesmo tempo para comparação de performance entre eles em relação à mesma fonte sonora.
7. Chaves ON/OFF individuais por saída que desligam os fones em teste e/ou uso
8. Chaves individuais por saída que selecionam o conjunto de crossfeed utilizado (alta-impedância ou baixa-impedância).

O protótipo já está OK, agora é projetar o gabinete, executar as pcbs e publicar o novo produto no website.

Fiquem de olho nas novidades do website.

Cheers!



quarta-feira, 21 de março de 2012

Parou de funcionar. O que fazer?

Volta e meia, algum cliente me liga desesperado dizendo que algum dos seus equipamentos sofreu alguma pane.

Se foi equipamento que eu construí, é só colocar no correio e mandar pro meu lab de volta que conserto sem problemas, afinal a garatia vitalícia serve pra isto mesmo.

A coisa pega quando é equipamento de terceiros...

Eu gostaria muito, mas muito mesmo, de dar toda a atenção e carinho que dou aos meus equipamentos, consertando equipamentos que fazem meus clientes tão felizes quanto os meus equipamentos o fazem, porém é humanamente impossível que eu dispenda este tempo e ainda continue levando o meu negócio de projetar e fabricar equipamentos para High-End Audio.

Pensando nisto, conversei com um amigo que recorro quando estou sem tempo para mexer nos meus equipamentos de áudio (de terceiros, é lógico) e instrumentos de teste e de bancada.

É o Fábio Ferrari.  ferrariffc@yahoo.com.br

O pai dele está no negócio há uns 50 anos, consertando rádio-estações e equipamentos de testes, e ele se especializou em áudio há uns 15 anos, pelo menos.

Se forem conversar com ele, comentem que leram por aqui a referência.

Lembrando: ele e o pai não são assistência autorizada de nenhuma marca. São dois apaixonados pelo que fazem, como eu, e se desdobram para colocar o que quer que seja em ordem novamente. Na grande maioria das vezes, dá certo!  ;-)

Grande abraço à todos e fica a dica!


PS.: trafos "difícieis", mando neste cara:
guidotransformadores@ig.com.br, tel 11 4474-1909



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